Vejam o que foi divulgado no site do jornal O Diário de Mogi (Mogi das Cruzes – SP):

Bebês têm infecção na Santa Casa

A Santa Casa de Mogi das Cruzes registrou, apenas nesta semana, a presença de infecção bacteriana em três bebês internados na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal. Os recém-nascidos foram transferidos para o setor de isolamento, onde recebem os cuidados necessários. O cenário aponta para um possível quadro de infecção hospitalar, mas a diretoria do hospital nega que haja um surto, como já aconteceu anteriormente, nos anos de 2002 e 2009, quando várias crianças morreram infectadas pela bactéria klebsiella. Exames já realizados nos bebês deverão indicar em breve qual a causa das novas infecções e que medidas futuras deverão ser tomadas pela unidade.

A presença da infecção no berçário foi denunciada a O Diário pelo jornalista Rodrigo Ferreira, que mora na Capital e é tio de um dos bebês infectados. Ele conta que a criança nasceu prematura e que a infecção foi diagnosticada três dias após o nascimento. O quadro tem preocupado a família, porém, os pais não concederam entrevista e preferiram não se identificar por medo de possíveis represálias dentro do hospital. “Três bebês foram isolados com diagnóstico de infecção. Estou fazendo esse alerta porque meu sobrinho corre risco de morte e já houve casos graves no passado, dentro da própria Santa Casa”, disse Ferreira à reportagem.

O diretor assistencial da Santa Casa de Mogi, o médico Paulo Toledo, confirmou as informações na tarde de ontem. Após consulta à coordenação da UTI Neonatal e à chefia do setor de Infectologia da Santa Casa, ele explicou que a infecção nos três recém-nascidos foi diagnosticada nesta semana após exames feitos rotineiramente. “A Santa Casa realiza procedimentos diários para uma pesquisa rigorosa sobre possível infecção ou demais agravos nos bebês, porque nossa visão é a de proteger totalmente as crianças. No exame que esses bebês fizeram foi constatada a presença de um tipo de bactéria e eles foram isolados imediatamente”.

De acordo com Paulo Toledo, as crianças foram submetidas a novos exames que deverão indicar as causas da infecção. A principal intenção é verificar se elas já nasceram com o problema, que pode ocorrer inclusive no parto, ou se as bactérias foram adquiridas no hospital. O médico não precisou ontem em quanto tempo os laudos deverão ficar prontos, mas informou que terá mais detalhes sobre o caso na segunda-feira. “Infecções são comuns dentro do ambiente hospitalar e casos como este, de até três bebês infectados, não são raridade. O mais importante, que deve ficar claro, é que não houve óbitos e que não existe um surto. Em hipótese alguma essa situação pode ser comparada aos episódios passados”.

Consultado, o médico não confirmou à reportagem de O Diário se a Santa Casa notificou ou se pretende notificar os casos de infecção à Vigilância Sanitária do Estado. Porém, ele assegurou que todos os outros bebês (pelo menos 12), internados na UTI e no setor de Cuidados Intermediários, estão seguros e não correm risco de ser infectados. “Os procedimentos são totalmente distintos. Os setores não se comunicam e inclusive as equipes são diferentes, justamente para garantir a segurança de todos”.

Comento. É interessante refletirmos que intenção tem um profissional do jornalismo ao fazer uma matéria alertando para a possibilidade de surto em uma unidade crítica, mesmo quando o responsável pela unidade afirma não ser o caso.

A detecção de 3 infecções em uma unidade intensiva neonatal pode ser o início de um surto, mas esta análise depende de uma vigilância epidemiológica regular, capaz de determinar os limites endêmicos e detectar anormalidades na incidência. Também é preciso saber se as infecções são causadas pelo mesmo agente ou por agentes distintos. Se as infecções são evitáveis ou não, ou seja, se todas as medidas de prevenção e controle estão implementadas e regularmente auditadas. É preciso saber se os casos estão relacionados entre si.

Ou seja, é uma ilação precoce e perigosa, a que sugere o jornalista – provavelmente impressionado com a infecção do seu próprio sobrinho. A abordagem de uma situação suspeita de surto é extremamente técnica, envolve um enorme preparo profissional e uma grande quantidade de conhecimento específico. E é um assunto delicado, porque não infrequentemente gera pânico na população assistida pelo hospital “denunciado”. Por isso, é preciso responsabilidade ao divulgar essa pauta.

É importante que jornalistas e editores saibam que infecções acontecem no ambiente hospitalar, mesmo que todas as medidas de controle conhecidas sejam adotadas. As melhores estratégias para controle de infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateter, por exemplo, conseguem atingir cerca de 50% de redução de incidência. Ora, neonatos em uma unidade de terapia intensiva utilizam cateteres, e têm infecções. Isso está relacionado com a delicada condição em que se encontram.

Creio que o jornalismo tem uma função primordial na nossa sociedade, tão carente de informações e conhecimento. Uma função educativa. Mas para isso, é necessário que abandonem o hábito pelo sensacionalismo e pela inconsequência.

Luis Fernando Waib

Be Sociable, Share!

Tags: , , , ,

Veja Também:
Fatal error: Call to undefined function related_posts() in /home/httpd/vhosts/abih.net.br/httpdocs/wp-content/themes/gm/single.php on line 52