Publicado no Memórias do Instituto Oswaldo Cruz [Fiocruz – Fev/2012]

Há alguns anos, Enterococci vancomicina resistente [VRE] se apresenta em diversos países como um importante patógeno nosocomial. Estudos têm sugerido que tanto a colonização quanto a infecção por VRE apresentam taxas mais elevadas entre os pacientes mais criticamente enfermos, particularmente aqueles admitidos em Unidades de Terapia Intensiva [UTIs].

A maioria dos casos de infecção está associada com Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium; e nessas espécies, a presença de genes vanA e vanB, que codificam altos níveis de resistência à vancomicina, são os de maior interesse devido a ampla capacidade que esses microrganismos apresentam para disseminação mundial.

Enterococcus gallinarum e Enterococcus casseliflavus são espécies intrinsicamente resistentes a baixos níveis de vancomicina [vanC] e têm sido descritos como colonizadores do trato intestinal humano.

A colonização intestinal por VRE tem sido associada a diversos fatores de risco e a colonização assintomática por esse patógeno muita vezes precede a verdadeira infecção.

Um estudo foi conduzido em um hospital universitário de Uberlândia [MG] e tinha o objetivo de determinar a incidência de colonização por VRE entre pacientes admitidos em uma UTI e identificar fatores de risco que predispõem esses pacientes à colonização por esse patógeno.

Método: de Abril/2009 a Janeiro/2010 os pesquisadores realizaram um estudo observacional prospectivo para determinar a incidência de colonização por VRE entre pacientes admitidos na UTI. Swabs retais foram coletados nas primeiras 48 horas de internação com a finalidade de excluir pacientes que já entravam colonizados no setor. Critérios de inclusão e exclusão para participar do estudo, técnicas laboratoriais atuais para detecção de VRE, bem como as análises dos dados por métodos estatísticos apropriados, foram estabelecidos previamente.  Para determinar os fatores de risco para colonização por VRE na UTI, foi conduzido em seguida um estudo caso-controle onde ‘casos’ eram pacientes colonizados por VRE sem infecção em qualquer topografia e ‘controles’ eram pacientes sem colonização por VRE e também sem infecção em qualquer topografia.

Alguns Resultados: do total de 333 pacientes incluídos no estudo, 23,4% estavam colonizados por VRE e destes, 35,9% adquiriram VRE durante a internação na UTI. Enterococci espécies isolados nesse estudo foram: E. casseliflavus [55,4%], E. gallinarum [28,3%], E. faecium [12%] e E. faecalis [4,3%]. Apenas uma cepa de E. faecalis carreava gen vanA. Os resultados mostraram também que somente um Enterococcus faecalis isolado mostrou alto nível de resistência a vancomicina [MIC ≥ 256µg/mL] Dos 78 pacientes colonizados por VRE, 21 deles foram incluídos no grupo ‘caso’ e 143 pacientes que não eram colonizados por VRE foram incluídos no grupo ‘controle’. A análise univariada mostrou que tanto ‘história de nefropatia’ [OR: 7,13; ρ <0,001] quanto ‘uso de carbapenens’ [OR: 13,9; ρ <0,001] foram as variáveis mais significantes associadas a colonização por VRE. A análise multivariada manteve essas mesmas variáveis, além de ‘uso prévio de antimicrobianos’, como àquelas que representaram fatores de risco independentes para colonização por VRE.

Conclusão: os resultados mostraram alta freqüência de colonização por VRE vanC, sem associação com infecção, relacionada a vários fatores de risco como: uso de carbapenens, história de nefropatia e uso prévio de antimicrobianos. As limitações desse trabalho apontadas pelos autores se referem ao tamanho pequeno no número de pacientes incluídos no estudo e a ausência de APACHE II como escore de severidade para classificar melhor esses pacientes.

Mais detalhes sobre o trabalho acesse no link acima ou em: Batistão et al _ Mem IOC Fev2012

                                                                                                                                                                                                                                                   – Kátia Costa

 

 

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