Da Agência Estado:

“Oito bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, o maior hospital público da região, apresentaram sintomas de infecção hospitalar. A unidade, que recebe pacientes de 48 cidades da região, foi interditada para novas internações. A medida tem caráter preventivo, e segue recomendação da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do CHS, uma vez que os setores estão com leitos ocupados em sua capacidade máxima.

As crianças internadas apresentaram agravamento de seu quadro clínico nos últimos dias em decorrência de infecção. Os bebês foram isolados e recebem tratamento com antibióticos. Um deles está em estado grave e os demais, estáveis. Até ontem não havia óbitos em razão dessa infecção. Amostras de sangue dos pacientes foram colhidas para exames de cultura, que devem ficar prontos na próxima semana.

De acordo com a direção do hospital, a suspensão de novas internações foi motivada pelo possível risco aos pacientes. A UTI tem dez vagas e 11 bebês internados – um acima da capacidade. Três desses bebês apresentaram a bactéria klebsiela pneumoniae, restrita ao ambiente hospitalar e relacionada com o uso de antibióticos, conforme relatório do serviço de controle de infecção hospitalar. O relatório alertava a direção do conjunto para um aumento na prevalência de casos de infecção hospitalar na unidade. Os cuidados foram redobrados no berçário que, ontem, tinha 14 crianças, quatro acima da capacidade.

A direção do hospital reconheceu que a presença da bactéria em mais de uma criança é um forte indício de infecção hospitalar. O Conjunto Hospitalar já avisou às prefeituras da região e também à central de regulação de vagas, que fica em São Paulo, que por enquanto não vai mais receber crianças de fora do hospital. O hospital é referência para partos de alto risco e os bebês internados na UTI geralmente são recém-nascidos prematuros, muitos portadores de patologias graves.”

Meus comentários:

1. A reportagem é confusa, mas é possível depreender que houve um grande número de infecções em curto espaço de tempo. É possível que se trate de surto, como é possível que se trate de pseudosurto, ou mesmo de eventos isolados.

2. Não está claro se as cepas de Klebsiella pneumoniae eram similares fenotipicamente, i.e., se é possível trabalhar a hipótese de disseminação monoclonal, nem se as culturas foram diagnósticas ou de vigilância. Isso faz muita diferença.

3. Uma outra dúvida pertinente é se as cepas de K. pneumoniae eram resistentes a carbapenêmicos ou “apenas” ESBL+. A abordagem seria totalmente diferente entre um caso e outro.

4. A presença da mesma bactéria em mais de uma criança não é um “forte indício de infecção hospitalar”. É, sim, um forte indício de que houve transmissão cruzada – que é a colonização de um paciente por uma bactéria de outro paciente. Entre a colonização e a infecção, há uma distância razoável.

5. Estamos todos torcendo pelos colegas do SCIH do CHS, para que o desfecho deste episódio seja o menos traumático possível.

 

— Luís Fernando Waib

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