Publicado no Journal of Antimicrobial Chemotherapy  [Março/2012]

Infecção por Clostridium difficile [CDI] afeta mais de 25.000 pessoas na Inglaterra anualmente e mais de 250.000 pacientes hospitalizados por ano nos EUA.

Os principais fatores de risco para CDI são hospitalização prévia, idade acima de 65 anos e o mais importante, o uso prévio de antibióticos. Várias classes de antibióticos têm sido associadas com o desenvolvimento de CDI, sendo o número, a dosagem e a duração da antibioticoterapia; fatores decisivos de risco para a infecção por esse patógeno.

Método: um estudo caso-controle multicêntrico foi realizado em nove hospitais da Holanda no período de Março de 2006 a Maio de 2009 e tinha o objetivo de determinar qual o intervalo de tempo após o término da terapia com antibióticos, aumentaria o risco de ocorrência de CDI. Casos foram classificados como sendo pacientes com diarreia e com teste positivo para toxina do patógeno. Para cada caso, dois controles foram selecionados: um controle com diarreia não-CDI e outro controle sem diarreia. Tanto casos como controles foram pareados por hospital, enfermaria e tempo de diagnóstico.

Alguns Resultados: 337 pacientes com CDI [casos] foram incluídos e pareados com 337 controles sem diarreia e 227 controles com diarreia não-CDI. Pacientes casos tiveram mais frequentemente internações prévias em unidades de saúde e usaram mais antibióticos, imunossupressores e citostáticos do que controles sem diarreia. Cefalosporinas de segunda e terceira geração, bem como os carbapenens, tiveram forte associação com a ocorrência de CDI (OR: 3.28; CI95%: 1.83-5.88, OR: 5.32; CI95%: 3.30-8.59 e OR: 4.70; CI95%: 1.57-14.1). Pacientes casos usaram mais classes diferentes de antibióticos do que pacientes controles sem diarreia – média de 2.7 versus 2.2 classes diferentes (ρ < 0.01). O uso de ≥ 14 DDDs de antibiótico nos três meses anteriores a data índice teve forte associação com a ocorrência de CDI (OR: 8.50; CI95%: 4.56-15.9). A análise multivariada mostrou um risco aumentado para CDI em 6 vezes durante o uso de antibiótico e no primeiro mês após cessar terapia (OR: 6.67-10.37). Esse risco declinou durante o período entre 1 a 3 meses depois que a terapia antibiótica foi interrompida (OR: 2.72; CI95%: 1.20-6.15). Entre pacientes casos e controles com diarreia não-CDI, o risco da ocorrência de CDI também aumentou no primeiro mês depois do término do uso da antibioticoterapia (OR: 5.24 – 9.35).

Discussão: o estudo revelou 7–10 vezes o risco aumentado para ocorrência de CDI durante o uso da antibioticoterapia e no primeiro mês após cessar a mesma. O uso de antibióticos no período de 1 a 3 meses antes do desenvolvimento de diarreia poderia estar associado à ocorrência de CDI. A duração do uso e da dosagem de antibióticos, expressa em DDD, mostrou uma correlação positiva com risco de ocorrência de CDI.

Conclusões: o intervalo de risco aumentado de CDI após terapia com antibióticos compreende o tempo desde o uso do antibiótico vigente até 3 meses depois. O maior risco para CDI é encontrado durante e no primeiro mês após  o uso de antibióticos. Os médicos devem estar cientes que o uso de antibióticos pode aumentar o risco de CDI em 10 vezes, mesmo se o uso de antibióticos precederam os sintomas em 1 mês.

Artigo na íntegra acesse o site acima ou em: Hensgens et al _ JAntimicrob Chemother Mar2012
                                                                                                                                                                                                                                                   – Kátia Costa

 

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