Publicado no International Journal of Infection Control [1o Trim/2012]

Manutenção de assepsia rigorosa é fundamental para minimizar as chances de infecção cirúrgica. Agentes infecciosos podem ser transmitidos por diversas vias como: materiais inadequadamente esterilizados, mãos dos profissionais de saúde, ambiente inadequadamente higienizado, entre outros. Endoftalmite continua sendo a mais desastrosa complicação ocular pós-catarata. Fungos podem ser causadores de graves infecções relacionadas à assistência a saúde, incluindo Aspergillus sp, o qual pode permanecer em suspensão aérea indefinidamente através das correntes de ar.

Histórico: um surto de endoftalmite pós-catarata ocorreu em Junho de 2008 em um centro oftalmológico day-clinic da cidade de Pune, lado ocidental da índia. Um cirurgião que operou 12 pacientes em uma mesma sala cirúrgica teve cinco pacientes com culturas de vítreo positivas para fungos após uma semana de cirurgia. Dos pacientes com infecção, 2 apresentaram cultura positiva para Aspergillus sp , um paciente com Mucor sp e dois pacientes com culturas negativas para fungos. Nenhum paciente teve cultura positiva para bactérias. Após terapia intra-vítrea, tópica e oral com anti-fúngico, dois pacientes tiveram evolução satisfatória e um paciente precisou ser submetido à vitrectomia por não ter respondido ao tratamento.

Vigilância do ambiente foi conduzida na sala cirúrgica através de placas de Petri colocadas em pontos estratégicos do ambiente e culturas de swabs de aparelhos de ar refrigerado. Foi detectado que filtro do aparelho de ar refrigerado continha sujidade grosseira e culturas positivas para Aspergillus sp e Mucor sp, fenotipicamente similar aos dos pacientes infectados. Observado ainda que as paredes e áreas vizinhas à sala de cirurgia também continham os mesmo fungos. O aparelho da sala cirúrgica foi limpo e desinfetado, porém a sala foi fechada e cirurgias transferidas para outro local, devido s demais áreas do ambiente manterem contaminação pelos fungos em questão.

Com esses achados, os pesquisadores resolveram conduzir um estudo de vigilância de aparelhos de ar refrigerado de centro cirúrgico em hospitais de Pune, para detectar a prevalência de contaminação por fungos nesses equipamentos.

Método:  aparelhos de ar refrigerado de 25 hospitais da cidade de Pune foram avaliados no período de 2 anos. Culturas de filtros de aparelhos de ar refrigerado foram coletadas através de swabs no primeiro, quarto, sétimo e décimo meses do calendário. Do total, 21 aparelhos de ar refrigerado de parede e 4 aparelhos split, todos de salas cirúrgicas, foram incluídos no estudo.

Resultados: taxa de isolamento de fungos de aparelhos de ar refrigerado de parede foi maior que aparelho split – 30,3% versus 3,1%, respectivamente. Até a primeira avaliação [janeiro] no primeiro ano do estudo, 76% dos aparelhos de ar refrigerado abrigavam fungos. Após essa primeira avaliação, funcionários receberam treinamento básico para limpeza e desinfecção dos filtros de ar refrigerado, protocolo o qual foi instituído uma vez a cada três meses e incluía manualmente lavagem com água e sabão, seguida de desinfecção, finalizando com secagem ao sol. Ao longo dos quatros meses de avaliação tanto no primeiro ano quanto no segundo ano de seguimento, a prevalência de fungos encontrada nos aparelhos de ar refrigerado, diminuiu sensivelmente chegando a 8% [última avaliação – mês de Outubro] nos dois anos. Houve exceção na terceira avaliação dos dois anos do estudo [mês de Julho], quando a prevalência aumentou drasticamente [40% primeiro ano versus 44% segundo ano]. Os autores atribuíram esse fato por ser estação chuvosa do ano, quando a umidade relativa na cidade de Pune fica em torno de 80-90%. Funcionários foram treinados novamente na limpeza e desinfecção dos filtros de ar refrigerados e umidificadores e o protocolo alterado para uma vez a cada quinze dias.

Conclusão: dadas as consequências desastrosas de infecções fúngicas, apesar da falta de dados atuais para provar ou refutar uma associação entre infecções e colonização por fungos, os aparelhos de ar refrigerado de salas cirúrgicas devem ser meticulosamente limpos, desinfetados e monitorados com freqüência para minimizar as chances de crescimento e proliferação de fungos potencialmente patogênicos.

Você pode acessar o artigo na íntegra no site acima ou em: Kelkar & Kulkami_IJIC 1oTrim2012

– Kátia Costa

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