Do site paraiba.com.br (26/03/2012) via PromedMail:

Maternidade de Patos pode estar contaminada por bactéria; um recém-nascido morreu
26/03/2012 | 10h22min
A Maternidade Peregrino Filho em Patos pode estar contaminada com uma bactéria que mata e provoca epidemias. A denúncia partiu de funcionários do próprio hospital que relataram um caso grave ocorrido este mês na cidade. Toda a história foi relatada também pela tia e avó, Priscila Maria da Silva e Cícera da Silva, respectivamente, na última sexta-feira.
No último dia 11 de março foi a óbito um recém-nascido da dona de casa Graciele de Oliveira de Melo, de barriga gêmea. As duas crianças do sexo masculino nasceram de forma prematura no dia 04, às 20h30, na Maternidade Peregrino Filho e uma delas, acabou adoecendo enquanto estava interna na Maternidade.
De acordo com Priscila, o parto das crianças foi muito complicado tendo as crianças internadas logo após na incubadora, já que nasceram de oito meses.
Passaram alguns dias, até os médicos decidirem transferir um dos bebês para Campina Grande com urgência. A família disse que não foi comunicada que o bebê tinha a bactéria e estava correndo risco de morte.
A criança foi transferida para o Hospital Universitário em Campina Grande e veio a óbito quando foi internada. Lá no HU de Campina Grande, os médicos ao realizarem exames para saberem o motivo da morte da criança, encontraram na ponta de cateter(sonda) a bactéria SERRÁTIA MARCESCENS, que é um micro organismo móvel, gran negativo, que durante muito tempo foi tido como principal responsável por septicemia, pneumopatias, por grandes epidemias hospitalares que resultam em óbitos de recém-nascidos.
Geralmente, a bactéria é usual ser encontrada em água, leite solo e fezes.
A segunda criança também foi contaminada com bactéria, mas os médicos em Patos conseguiram salvá-la. Apesar disso, ela contraiu meningite e foi transferida para Campina Grande. Só na sexta-feira, segundo a família, é que ele saiu da UTI. Segundo dona Cícera, o estado de saúde do bebê ainda é grave.
Segundo Priscila, a Maternidade de Patos não comunicou em nenhum momento o problema a família que só ficou sabendo que os bebês tinham contraído a bactéria em Campina Grande quando os médicos disseram.
A mãe, que é de Cascavel no Paraná, também está internada, mas não contraiu a doença. A família tem em mãos, o laudo da causa da morte do bebê emitido pelo HU em Campina Grande.
O HU enviou um ofício para Maternidade Peregrino Filho solicitando providências. Só que até onde se sabe, até o dia de ontem pouco ou nada tinha sido feito para solucionar o problema que põe em risco a vida dos recém-nascidos.
A fonte informou que o ofício foi guardado a sete chaves para que não houvesse vazamento de informações do problema.
De acordo com funcionários, somente na última quarta-feira, foi colhido pelo Lab Center o suabe(exame feito com a secreção das amídalas) dos funcionários do berçário da Maternidade para saber se havia alguma contaminação.
A Comissão de Infecção Hospitalar ainda não se pronunciou com relação ao caso.
A família ficou bastante revoltada e quer providências por parte da Maternidade que ainda não se pronunciou.
A direção da Maternidade foi procurada também pela reportagem durante três dias, mas a diretora, Sílvia Ximenes, apesar de ser localizada, não prestou esclarecimentos nem conversou sobre o assunto com o repórter Jamerson Ferreira.
RESUMO – Serratia marcescens é o membro mais importante desse gênero e é geralmente associado a uma variedade de infecção humana, em particular pneumonia e septicemia em pacientes com câncer reticulo endotelial que recebem quimioterapia. Às vezes, esse microrganismo também provoca infecções do trato urinário e infecções em ferimentos. Devido à virulência potencial de espécies de Serratia, é importante que esses microrganismos sejam separados do grupo Enterobacter.
A UTI e o Berçário são dois locais onde ocorreram a frequência da bactéria Serratia marcescens (3,44%). O setor que apresenta maior resistência a antibióticos é o berçário, sendo resistente.

Dois bebês morrem por dia na Paraíba
LIGIA COELI
Na Paraíba, todo dia, mais de dois bebês morrem antes de completar um ano de vida. Nos últimos 10 anos, esse número ultrapassou os 12,4 mil casos, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES). Na maioria dos casos, as crianças não conseguem sobreviver ao primeiro mês: somente no ano passado, 593 mortes foram registradas nesta situação em todo o Estado. Preocupada com essa situação, a Secretaria de Saúde de Campina Grande lança amanhã a ‘Semana do Bebê’ com o objetivo de alertar para os cuidados relacionados à primeira infância.
Complicação no parto
De acordo com o médico Pediatra Flaubert Cruz, as mortes ‘neonatais’, registradas em bebês com menos de 7 dias de nascido, tem quatro causas principais. “Primeiro, as complicações no parto, depois as infecções congênitas, ou seja, aquelas que a mãe passa para a criança (toxoplasmose, rubéola, sarampo e sífilis, por exemplo), a terceira causa seria a prematuridade, além das más formações congênitas, sobretudo as cardíacas”, explicou.
Segundo ele, a falta de UTIs neonatais em quantidades suficientes ainda é um problema enfrentado em Campina Grande. “Só temos dois leitos no Hospital Universitário, 10 no ISEA e na Clipsi. O problema é que esses centros atendem toda a demanda da cidade além de outros municípios da região”, informou.
O pediatra destacou a inda a importância da realização dos exames ‘Pré-natal’. “Logo que a gravidez é diagnosticada, o pré-natal tem que ser feito. A melhor saída é a qualificação do pré-natal e o acesso às mãe em consultas especializas com obstetras. Se uma mãe já tem o histórico de filhos com má formação, precisa passar por exames especializados”, disse.

 

Comentário: mais um exemplo do despreparo dos jornalistas e editores responsáveis pela cobertura de temas de teor técnico-científico. O sensacionalismo começa no título da matéria: “Maternidade de Patos pode estar contaminada por bactéria” – em seguida complementa “bactéria que mata e provoca epidemias”. Seguimos a leitura e descobrimos que as fontes da informação são duas familiares de um recém nascido gemelar, prematuro, que sofreu complicações e acabou falecendo na unidade neonatal. O segundo gemelar contraiu meningite, mas foi efetivamente tratado e teve alta da UTI. Segundo a reportagem, o HU de Campina Grande enviou ofício “solicitando providências” e o hospital de Patos procedeu a coleta de swab de orofaringe de funcionários. E é isso. Todo o restante das informações contidas na matéria é incorreta, distorcida ou descontextualizada:

Serratia marscecens é um bacilo Gram-negativo da família Enterobacteriaceae. É parte da microbiota normal do intestino humano. Assim como outras Enterobacteriaceae, pode causar doenças em pacientes críticos (prematuros, instáveis, dentro da UTI neonatal), principalmente em função da presença de dispositivos invasivos (cateteres, sondas, ventilação mecânica, cirurgias). Serratia marscecens é portadora do gene produtor de betalactamase de amplo espectro conhecida como AmpC, e expressa esta enzima após exposição a antimicrobianos, mais frequentemente betalactâmicos.

– Todo estabelecimento de saúde tem bactérias no ambiente, todo indivíduo tem bactérias em si, capazes de “provocar surtos”. Afinal, Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase-negativo, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae (que podem produzir a famosa KPC) entre inúmeras outras, são parte da nossa microbiota normal.

– Infecções hospitalares acontecem em todos os hospitais, principalmente em unidades de terapia intensiva. É uma redundância. Piada corrente entre os controladores de infecção: só tem taxa zero de infecção aquele hospital que não tem CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) atuante, nos termos da Portaria MS 2.616 de 1998.

– Neste caso, é importante saber se a CCIH está constituída e atuante, e se está ciente dos casos. Swab de orofaringe não é uma medida relevante, assim como swab de mãos. Há várias outras medidas importantes, que devem ser desencadeadas de acordo com a epidemiologia da instituição.

– Não existe surto de Serratia sp. com 2 casos, exceto se houver um padrão desconhecido de resistência aos antimicrobianos (por exemplo, aos carbapenêmicos). Frente a isso, qualquer outra ilação é perigosa, leviana, e dirigida pura e simplesmente à desinformação.

— Luis Fernando Waib

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