Publicado no  Infection Control and Hospital Epidemiology [Janeiro/2012]

Delírio é um distúrbio transitório da função mental marcado por confusão ou alteração do nível de consciência. Delírio ocorre em aproximadamente 16% dos pacientes hospitalizados, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva [UTI]. Os fatores de risco para o desenvolvimento de delírio incluem: diminuição dos estímulos ambientais [como ausência de familiares, ausência dos óculos ou de objetos de orientação], imobilização, idade, etc. Aproximadamente 15% dos pacientes hospitalizados estão em precaução de contato e isso requer que profissionais de saúde usem capote e luvas ao cuidarem desses pacientes e os coloquem em quarto individual. Devido a essas mudanças nos cuidados, precaução de contato tem sido hipotetizada como fator que leva ao aumento de desenvolvimento de delírio por esses pacientes.
No sentido de avaliar se existe associação entre precaução de contato e delírio, os autores conduziram um estudo de coorte retrospectiva na University of Maryland Medical Center.

Método: os autores analisaram prontuário médico e documentos de todos os pacientes admitidos na instituição, no período de 2007 a 2009. Os pacientes foram alocados em dois grupos: um grupo que entrou em precaução de contato no ato de admissão [registro de bactéria resistente em internação anterior ou com cultura de admissão positiva para bactéria resistente] e outro grupo que entrou em precaução de contato durante o tempo de internação devido algum laudo positivo para bactéria resistente em exames clínicos. Critérios de exclusão no estudo foram: ser menor de 18 anos, ter algum distúrbio psiquiátrico, ser proveniente de instituição psiquiátrica e ser alcoólatra ou usuário de outras drogas psicoativas. Devido delírio ser subdiagnosticado, os autores utilizaram uma medida proxy baseada no uso inexplicável de antipsicóticos e restrições físicas. Paciente foi classificado com delírio se ele teve qualquer código CID 9 previamente validado para delírio ou usava antipsicóticos ou tinha restrições físicas. Realizada análise bivariada utilizando teste χ2, testes t de Student ou Wilcoxon. Potenciais variáveis de confundimento foram controladas bem como testes de interação foram utilizados para testar modificação de efeito. Odds ratio [OR] para delírio foram estimados e intervalo de confiança [CI] de 95% foi utilizado.

Alguns Resultados: precaução de contato foi implementada em 9869 admissões [15%], sendo 58% delas no ato da admissão e 42% em algum momento durante a internação. Os autores encontraram 13,5% dos pacientes com critério de delírio na admissão. Pacientes colocados em precaução de contato em qualquer momento durante a hospitalização teve duas vezes mais chances de apresentar delírio do que pacientes que não entraram em precaução de contato (16,1% VS 7,6%, respectivamente; OR=2,4; CI95% : 2,2-2,5). Não houve relação entre precaução de contato e delírio nos pacientes que entraram com essa medida no ato da admissão. Contudo, sendo instalada a precaução de contato durante o período de internação por qualquer motivo que justificasse tal medida [isolamento de bactéria resistente em exames clínicos, etc], a medida estava associada com aumento no risco do paciente desenvolver delírio (OR=1,75; CI95%: 1,60-1,92; ρ < 0,01).

Conclusão: nesse estudo delírio esteve associado com uma mudança para precaução de contato durante a hospitalização, mas não com pacientes em precaução de contato no ato da admissão.

……………………………………………………………………………………………………………………………………….

Comments de David J. Pierson [University of Washington] sobre:

“Precaução de Contato pode aumentar o risco de delírio?”

Publicado no Hospital Infection Control & Prevention [Março/2012]

“Uma importante contribuição desse estudo de Day et al é a sinalização para que a precaução de contato sirva como um marcador de desenvolvimento de delírio. Independentemente da contribuição da precaução de contato por si só para a ocorrência de delírio, saber que paciente em precaução de contato têm maior risco pode ajudar (no nível clínico individual, bem como para a política do hospital); a implementar esforços para a detecção precoce, o tratamento adequado e para a prevenção dessa importante doença aguda.”

……………………………………………………………………………………………………………………………………….

Artigos na íntegra acesse aqui: Day et al_ICHE Jan2012  [artigo zipado] e  David J Pierson_JHInfectContPrev Mar2012

                                                                                                                                                                                                                                            Kátia Costa

 

Be Sociable, Share!

Tags:

Veja Também:
Fatal error: Call to undefined function related_posts() in /home/httpd/vhosts/abih.net.br/httpdocs/wp-content/themes/gm/single.php on line 52