Publicado no American Journal of Infection Control  [Junho/2012]

Infecção por Aspergillus sp pode causar aspergilose cutânea primária em neonato de extremo baixo peso ao nascer devido a diminuição qualitativa das defesas do sistema imune e incapacidade da pele funcionar como barreira à invasões. A presença de reformas estruturais próximas a enfermarias de pacientes extremamente imunocomprometidos é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de aspergilose invasiva.

Este trabalho é um ‘relato de caso’ onde os autores descrevem um caso fatal de aspergilose cutânea primária em neonato de extremo baixo peso ao nascer.

Case Report:seis dias após nascer com 24 semanas de gestação e com 600g, um neonato desenvolveu lesões necróticas de pele. Essas lesões se disseminaram pelo dorso, axilas, períneo; além do recém-nascido [RN] ter desenvolvido pneumonia. Aspergillus fumigatus foi isolado das lesões de pele e do lavado broncoalveolar. Apesar da terapia antifúngica intravenosa ter sido iniciada, o RN veio a óbito por falência múltipla de órgãos. A necropsia confirmou o diagnóstico de aspergilose cutânea primária complicada com aspergilose invasiva.

Cenário: UTI Neonatal de 12 leitos do University Hospital of Saint-Etienne [Rhône-Alpes Region – França], com sistema de ar próprio com troca adequada e filtragem com filtro HEPA. Todas as janelas são lacradas, profissionais utilizam solução alcoólica para higienização das mãos e a entrada de caixas de papelão na Unidade é estritamente proibida. Vigilância do ambiente é conduzida mensalmente com coleta de swabs de diversos pontos da Unidade [sistema de ar, ambiente ao redor dos RNs, etc], inclusive com pesquisa para 12 amostras fúngicas. A análise da água é conduzida a cada três meses. Devido a uma reforma estrutural próxima à UTI, precauções destinadas a impedir a infiltração de poeira de fora para dentro da Unidade foram reforçadas antes mesmo do início do estudo.

Investigação: após a ocorrência do caso, uma investigação minuciosa foi conduzida e incluiu: novas amostras de swab do ambiente para análise microbiológica [incubadoras, outras superfícies ao redor dos RNs, fraldas, compressas, cremes, micropore, etc]; detalhada checagem do sistema de ventilação da Unidade e verificação da proteção plástica de barreira que separava a UTI Neonatal da área de reforma estrutural [ao lado]. Como já havia relato anterior de contaminação por bactérias e fungos em luvas de procedimento estocadas [caixas fechadas], os autores resolveram incluir também esse material na investigação, fazendo swabs da superfície de caixas fechadas de luvas no almoxarifado da UTI Neonatal, bem como de luvas propriamente ditas no topo e no meio de caixas fechadas.

Alguns Resultados: mais de 140 amostras de ambiente foram testadas e nenhum Aspergillus fumigatus foi detectado, exceto na área onde o RN infectado ficou internado. Encontrado poucas colônias de fungos em algumas áreas da UTI [baixa contagem de colônias]. A. fumigatus foi detectado em luvas de procedimento ‘powder free’, localizadas no topo de uma caixa fechada. Amostras de superfícies do almoxarifado da UTI Neonatal onde são estocadas caixas de luvas, não apresentaram A. fumigatus. De acordo com a prática da UTIN, foi decidido utilizar apenas luvas estéreis ao cuidar de neonatos pesando <1.000 g ou nascido de uma gestação de menos de 28 semanas até 15 dias de vida, altura em que o pele proporciona uma barreira suficiente. Durante os 24 meses seguintes à implementação dessa medida, não foi observado contaminação por A fumigatus em superfícies da UTI Neonatal e nenhum outro caso de aspergillose foi relatado.

Conclusão: no presente estudo, não foi isolado Aspergillus sp no ambiente da UTI Neonatal, com a exceção à superfícies ao redor do neonato. Devido as amostras terem sido obtidas dentro de poucas horas após a morte do RN e por causa de resultados negativos em amostras obtidas a partir dos mesmos locais 12 dias antes do evento, os autores consideraram a contaminação das superfícies perto do RN ser secundária a aspergilose do neonato cutânea extensa e assim, a hipótese foi de que a pele do recém-nascido poderia ter sido contaminada por dispositivos não estéreis ou materiais utilizados durante a prestação de cuidados. A luva descartável não estéril da caixa fechada armazenada no almoxarifado do setor foi encontrada contaminada com  A. fumigatus. Tal luva utilizada em especial para troca de fraldas pode ter contaminado a pele do neonato. Devido à barreira da pele ser muito fina em recém-nascidos de extremo baixo peso ao nascer, a contaminação pode ter levado a aspergilose grave.

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Acesse o artigo em: Stock_et al AJIC Jun2012

                                                                                                                                            Kátia Costa

 

 

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