Com o avanço da resistência bacteriana no mundo nas últimas décadas, os processos de limpeza e desinfecção de superfícies e de artigos médico-hospitalares passaram a representar um grande desafio para os controladores de infecção hospitalar, não apenas no que se refere a adesão por parte dos profissionais aos protocolos de reprocessamento de artigos e desinfecção de ambiente, quanto na emissão de parecer sobre o melhor produto germicida a ser adquirido na instituição.

É muito frequente que o controlador de infecção, especialmente o Enfermeiro, seja solicitado a emitir parecer técnico quando a instituição resolve adquirir um novo produto químico, tanto para antissepsia quanto para desinfecção de artigos e ambiente. Nesse último caso, a variedade de produtos novos lançados no mercado com uma gama enorme de compostos químicos ativos contra os microrganismos relevantes no cenário hospitalar; coloca o profissional diante de um dilema para opinar sobre qual o melhor germicida para o local e aplicação em questão.

Abaixo segue uma publicação que consideramos interessante para nortear os colegas controladores de infecção nesse sentido e pretendemos retornar em breve com outras publicações sobre outros compostos utilizados para desinfecção de superfícies e artigos.

Esperamos que aproveitem!!

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 Publicado no Polish Journal of Microbiology [4o Trimestre/2009]

Agentes antimicrobianos para rápida desinfecção são importantes no controle das infecções hospitalares. As modernas preparações de desinfetantes cumprem com os padrões europeus de amplo espectro de ação e eficácia. Álcool, aldeídos, fenóis, biguanidas, compostos de quaternário de amônio, peróxido e agentes de liberação de halogênio, têm sido empregados há anos como agentes ativos nas formulações de desinfetantes. A aplicação por longo tempo de preparações conhecidas promove seleção de cepas com baixa sensibilidade para a substância ativa e promove aquisição de mecanismos de resistência. A relevância de mecanismos de resistência através de fragmentos genéticos móveis dos microrganismos tem sido questionada. A glucoprotamina foi descoberta nos anos de 1990. Essa complexa substância, de consistência que se assemelha a cera, é um ativo componente de alguns agentes desinfetantes: Incidin Plus, Incidin Foam, Sekusept Plus, e preparações para máquinas lavadoras e desinfetadoras: Dekaseptol Gel e Sekumatic FDR.

O objetivo principal desse estudo foi analisar dois desinfetantes de diferentes composições e diferentes áreas de aplicação – Incidin Plus para desinfecção de superfícies e Sekusept Plus para desinfecção de artigos médico-hospitalares (ambos da ECOLAB, GmbH, Düsseldorf, Germany); quanto a sua eficácia contra fungos e bactérias, incluindo cepas multirresistentes. Tanto Incidin Plus quanto Sekusept Plus contêm glucoprotamina como substância ativa nas suas composições (26% e 25%, respectivamente). Devido o uso de preparações com glucoprotamina há quase 15 anos nos hospitais, os autores consideraram interessante avaliar sua eficácia biocida na direção clínica de cepas bacterianas resistentes e cepas fúngicas isoladas, de pacientes internados e de ambulatório desses mesmos hospitais.

Método – Experimental: O seguimento de 4 cepas standard bacterianas recomendadas pelo EN1040:2005 e EN13727:2003, foram utilizadas: Pseudomonas aeruginosa ATCC15442, Staphylococcus aureus ATCC6538, Escherichia coli NCTC10538 e Enterococcus hirae ATCC10541. Além disso, outras cepas isoladas da rotina clínica microbiológica de pacientes internados nos hospitais, com diferentes perfis de suscetibilidade aos antibióticos e quimioterápicos, incluindo MRSA, Enteroccus faecium e Enterococcus faecalis, foram incluídas no estudo. Outras cepas ainda de bactérias resistentes recomendadas pelo CLSI 2006 foram usadas. O seguimento de 2 cepas standard fúngicas recomendadas pelo EN1275:2005 foram usadas: Candida albicans ATCC10231 e Aspergillus brasilienses (antigo A. niger) ATCC16404. Adicionalmente 184 tipos de cepas fúngicas foram incluídas no estudo [ver artigo original]. Cepas fúngicas foram isoladas de pacientes internados e de ambulatório dos hospitais participantes do estudo, das seguintes de espécimes clínicas: sangue, fezes, secreção traqueal, secreção de ferida, swab nasal, swab vaginal e swab de orofaringe.

Preparação / Testes de Atividade Bacteriana e Testes de Atividade Fúngica: ver artigo original.

Resultados: quando a atividade bactericida do Incidin Plus e do Sekusept Plus nas duas concentrações testadas – 0,5% e 2%, foi avaliada de acordo com EN1040:2005, mostrou que bactérias isoladas de todos os materiais com relação ao seu padrão de resistência aos antibióticos, foi reduzida abaixo de 5 log durante apenas 1 minuto de contato com 0,5% do desinfetante. Isso significa que a aplicação de 2% de concentração e contato de 5 min foi mais que o necessário para esse caso. No sentido de detectar qualquer interação das substâncias adicionais presentes nos desinfetantes comerciais, as quais podem afetar o efeito antimicrobiano, valores de MIC de glucoprotamina contidos em três preparações foram testados. Esses valores variaram abaixo de 0,0039% até 0,0625% dependendo das cepas testadas [4 padronizadas e 18 de isolados clínicos diferentes], mas foram exatamente os mesmos quando as três preparações foram comparadas. Isso significa que nenhuma interação foi observada e a atividade da glucoprotamina nas preparações desinfetantes foi à mesma quando comparada com a solução de referência. Quando a atividade antifúngica de Incidin Plus foi testada, no sentido de avaliação comparativa, os valores da menor concentração de gluprotamina causando no mínimo 4 log de redução em células viáveis de 50% a 90% das cepas de Candidas analisadas, foram 0,03% e 0,06%, respectivamente. Resumindo: calculando os valores de todo grupo de 184 cepas fúngicas, a menor concentração de gluprotamina causando uma desejada redução de células fúngicas viáveis, variou de 0,005% a 0,24% e os valores da concentração menores de glucoprotamina, os quais causaram uma desejada redução de cepas fúngicas de 50% a 90% de todos os fungos analisados, foram de 0,03% e 0,12%, respectivamente.

Discussão: a ampla disseminação de diferentes microrganismos, muitas vezes com alta resistência antimicrobiana, especialmente entre pacientes hospitalizados e em superfícies e em artigos médico-hospitalares, requer procedimentos específicos de desinfecção e antissepsia com o uso de preparações antimicrobianas apropriadas. Glucoprotamina com pH 9 mostrou 5-20 maior atividade antimicrobiana do que no pH 6. Nesse estudo o Incidin Plus e o Sekusept Plus provaram ser muito eficientes como agentes antimicrobianos na desinfecção de superfícies e artigos médico-hospitalares, mesmo em reduzida concentração – 0,5%. Contudo, essa baixa concentração não é recomendada pelo fabricante porque isolados com menor suscetibilidade à glucoprotamina poderiam surgir na desinfecção de artigos e superfícies. O tempo de contato: 1 min para bactéria e 5 min para fungos, os quais foram mais que suficientes nesse estudo, podem não ser longo o suficiente no caso de microrganismos mais resistentes ou diante de alta contaminação com matéria orgânica ou na presença de biofilme. Assim o tempo de contato suposto pode ser ampliado para 1 hora – tempo máximo para desinfecção. O efeito bactericida da glucoprotamina foi forte e rápido, para todos os microrganismos analisados, com relação ao seu padrão de sensibilidade aos antimicrobianos; foi reduzido em mais de 5 log em apenas 1 min de contato com 0,5% do desinfetante. Aplicando desinfetante à base de glucoprotamina conforme recomendação do fabricante (tempo prolongado de uso e em alta concentração), os microrganismos analisados não teriam chance de sobreviverem no ambiente no qual os procedimentos de limpeza e desinfecção fossem aplicados adequadamente. Analisando a suscetibilidade de diferentes isolados fúngicos para Incidin Plus, algumas variações foram observadas, contudo, concentrações aplicadas foram muito menores do que aquelas recomendadas nas aplicações de rotina.

Conclusão: glucoprotamina é um agente antibacteriano e antifúngico muito efetivo e rápido. Baixa concentração desse agente – 0,5% de Incidin Plus e Sekusept Plus mostrou ser muito efetivo mesmo depois de 1 min, contra todas as bactérias isoladas de espécimes clínicas. Essa mesma concentração de Incidin Plus agiu muito efetivamente depois de 5 min de contato contra fungos isolados de espécimes clínicas.

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Confira mais detalhes sobre os testes realizados e outros itens do estudo.
Acesse o artigo em:  Tyski_et al Pol J Microbiol 2009

OBS: Declaro que não há qualquer conflito de interesse da minha parte ou por parte da ABIH, com a Empresa citada.

                                                                                                                          Kátia Costa

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