Do portal G1:

Cinco bebês são infectados por bactéria em maternidade no RN

Em menos de uma semana, cinco bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), em Natal – gerida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) -, foram infectados pela bactéria ‘pseudomonas aeruginosa’. As infecções foram diagnosticadas na última semana de agosto. Um dos bebês infectados morreu. Os outros quatro foram isolados pela direção da Maternidade para evitar a contaminação de outros recém-nascidos. A bactéria tem como principais sintomas febre e perda de apetite e é resistente aos antibióticos.

De acordo com a médica infectologista Lúcia Calich, presidenta da Comissão de Infecção Hospitalar da MEJC, a pseudomona é comumente encontrada em ambientes hospitalares. “É uma bactéria que circula normalmente e o que nos chamou a atenção foi o números de casos identificados num curto intervalo de tempo”. Entretanto, a infectologista descarta a possibilidade de surto da bactéria. “Para caracterizarmos a infecção como surto, temos que avaliar cada caso para elaborarmos planilhas de comparação. Até agora, o que temos não se caracteriza como surto”, destacou Lúcia Calich.

O diretor geral da Maternidade, Kleber Morais, esclareceu que o primeiro caso foi identificado no dia 21 de agosto passado. O bebê morto foi o segundo a ser diagnosticado com a pseudomona. “Entretanto, o bebê era prematuro e muito frágil. Ele tinha outras complicações”, afirmou o diretor. As outras infecções foram detectadas nos dias 26 de agosto, em um recém-nascido, e dois dias depois em mais três bebês. “Desde então, não estamos mais admitindo recém-nascidos na UTI Neonatal”, confirmou o diretor geral. A MEJC dispõe de 18 leitos de UTI Neonatal, dos quais 10 estão ocupados atualmente.

Kleber Morais destacou ainda que a superlotação da unidade pode ter contribuído para a proliferação da bactéria. “Já faz tempo que falamos da superlotação da Maternidade e os gestores estaduais e municipais não tomam nenhuma providência”. O diretor afirmou que a infecção ‘generalizada’ causou tensão na equipe médica e também indignação. “A Saúde potiguar está um caos e acaba refletindo na superlotação da nossa maternidade. É preciso que os gestores se sensibilizem para que ofertamos um atendimento digno para as mulheres”, ressaltou.

Como medida de segurança, os profissionais que trabalham no setor infectado redobraram os cuidados com a higienização do local. Além disso, os recém-nascidos que precisam ser internados em leitos de UTI estão sendo encaminhados para o Centro de Recuperação Pós-Operatório (CRO). Porém, não há mais vagas. Na manhã desta quinta-feira (6), inclusive, um bebê precisou ser levado para a UTI e a diretora médica Maria da Guia Garcia disse que não teria condições de recebê-lo.

A Secretaria de Saúde de Natal (SMS), informou, via nota, que “a superlotação se deve a outros municípios, pois Natal possui três maternidades e realiza uma média de 500 partos por mês, garantindo o acesso às mulheres de Natal”.

Na MEJC, são realizados partos de alto risco, conforme contrato existente com o Ministério da Educação e da Saúde. Com a ‘Rede Cegonha’, a SMS informou que haverá aumento de leitos de UTI neonatal e UTI materna, além de leitos de baixo risco nas maternidades da Região Metropolitana de Natal.

O secretário estadual de Saúde, Isaú Gerino, foi procurado para comentar os problemas enfrentados pelas gestantes quando recorrem às maternidade mantidas pelo Estado e não conseguem atendimento. Entretanto, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) afirmou que o secretário não iria se posicionar sobre o assunto, alegando que a Maternidade Escola Januário Cicco é mantida pelo Governo Federal através da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Para Geilda Pereira de Souza, de 30 anos, natural de Nísia Floresta, na região litorânea potiguar, a busca por atendimento foi difícil. “Eu passei pela Maternidade de São José de Mipibu e não me atenderam. Em Nísia Floresta não tem maternidade. Eu cheguei aqui em trabalho de parto, com o menino quase nascendo”, relembrou. Em decorrência da superlotação, Geilda e seu recém-nascido foram colocados num dos corredores da Januário Cicco.

O diretor Kleber Morais fez um apelo ao Governo do Estado. “Como médica, a governadora Rosalba Ciarlini precisa expandir a atenção à saúde da mulher”. Atualmente, a Maternidade Escola realizava aproximadamente 450 partos mensalmente, além de exames e procedimentos ginecológicos. No Rio Grande do Norte, somente quatro maternidades disponibilizam UTIs Neonatal – os Hospitais Santa Catarina e da Polícia Militar, em Natal; a Maternidade Divino Amor, em Parnamirim; e o Hospital da Mulher, em Mossoró.

 

Nota: Um “grande número de casos” em “um curto espaço de tempo”, causados pela mesma bactéria – é preciso avaliar o fenótipo, mas ainda assim – é quase uma definição de surto. Se considerarmos que para cada neonato infectado há outros tantos colonizados, o problema se agrava. E isso, em um contexto de superlotação de maternidades. Não é à toa que a unidade foi fechada para novas internações. Medidas de contenção são fundamentais neste momento (mais importantes do que declarações à imprensa, por sinal). Nossos votos de boa sorte ao SCIH da Maternidade Escola de Natal. [LFW]

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