Publicado no American Journal of Infection Control   [Agosto/2012]

A maneira como os uniformes dos profissionais são tratados, lavados e estocados parece influenciar o nível de contaminação bacteriana nos mesmos. Para reduzir a energia consumida na lavanderia, alguns hospitais estão processando roupas em temperaturas mais baixas daquelas recomendadas pelo Guideline do CDC [2003] – 71.1ºC. Lavanderias hospitalares têm ajustado as etapas de lavagem das roupas tanto no tempo dos ciclos quanto nos produtos químicos utilizados, com o objetivo de reduzir custos. Nesse sentido, algumas instituições têm autorizado os profissionais a lavarem seus uniformes em casa, inclusive roupa cirúrgica e jalecos. As condições de lavagem de roupas do trabalho em casa [comercial] diferem muito daquelas realizadas por lavanderias hospitalares [industrial]. Em casa se usa normalmente mais baixa temperatura e alvejantes muitas vezes não são adicionados devido ao colorido das roupas, etc. Previous estudos têm documentado a contaminação de roupas hospitalares por patógenos relevantes como: Staphylococcus aureus meticilina resistente [MRSA], Enterococcus sp vancomicina resistente [VRE] e Clostridium difficile. Com o aumento das taxas de infecções hospitalares e aumento nos níveis de resistência bacteriana no cenário hospitalar, a contaminação de uniformes pode ser um fator ambiental de transmissão de infecção.

O objetivo principal desse estudo foi identificar e quantificar tipos de bactérias heterotróficas [HPC] encontradas em roupas cirúrgicas sujas, em roupas lavadas na lavanderia do hospital, em roupas lavadas em casa, nas roupas novas e nas roupas novas descartáveis.

Método – testes preliminares com método de diluição padrão para bactérias HPC foram conduzidos para identificar locais das roupas mais prováveis de eliminar o maior número de bactérias. Blusa, calças e jalecos usados foram retirados da caixa de roupa do centro cirúrgico do hospital local no final do plantão. Cada peça de roupa foi colocada separadamente dentro de sacos plásticos, os quais foram selados e transportados sobre refrigeração até as análises. Partes das roupas foram cortadas em áreas conhecidas como: mangas, bolsos, pescoço, parte da frente da calça, parte da frente da blusa, frente do jaleco e sob os braços. Para isso foi utilizada uma tesoura esterilizada. Em seguida essas partes foram colocadas separadamente em sacos plásticos esterilizados com 50 ml de solução peptonada tamponada. Em seguida outros testes foram aplicados nas partes das roupas selecionadas. Com base nos resultados do estudo preliminar, os locais de amostragem foram reduzidos à área do pescoço e frente da área do bolso da blusa cirúrgica e na área central da frente da calça. Mais ensaios em capotes cirúrgicos não foram realizados devio o número reduzido de bactérias HPC encontradas. Roupas lavadas em casa ou no hospital vieram de vários fornecedores e foram fabricadas com 100% algodão ou da mistura poliéster/algodão. Roupas lavadas no hospital foram todas processadas na própria lavanderia local. Dez passos foram usados durante os 61 minutos do ciclo de lavagem mecânica para roupa com sujidade pesada. Produtos químicos foram adiconados em cinco desses passos, consistindo de detergente livre de fosfato, além de germicidas e produtos para retirada de manchas. A temperatura da água alcançou 71.1ºC por no mínimo 3 minutos, de acordo com as recomendações do CDC. Nenhuma informação sobre as práticas de lavagem em casa foi obtida dos profissionais, porém todas as roupas foram obtidas de enfermeiras que tiveram contato com pacientes no hospital. Dois tipos de fabricantes de roupas novas descartáveis também foram utilizados, assim como peças com cores diferentes.

Métodos de contagem de bactérias HPC; avaliação de presença/ausência de Clostridium difficile; avaliação de presença/ausência de coliformes e Escherichia coli, avaliação de presença/ausência de fungos e análises estatísticas – ver no artigo.

Resultados: roupas cirúrgicas sujas tinham mais alta contagem de bactérias HPC [média geométrica: 85UFC/cm²] seguida das roupas lavadas em casa [média geométrica: 16UFC/cm²], roupas novas [média geométrica: 5UFC/cm²], roupas novas descartáveis [5UFC/cm²] e roupas lavadas na lavanderia do hospital [média geométrica: 2UFC/cm²]. Roupas lavadas no hospital tiveram significativa redução na contagem de bactérias HPC comparadas àquelas lavadas em casa [ρ=0.016]. Não houve diferença significativa na contagem total de bactérias HPC nas roupas lavadas no hospital daquelas roupas novas não usadas e das roupas descartáveis. Clostridium difficile não foi isolado de qualquer roupa testada. Das 29 roupas cirúrgicas das amostras analisadas, 23 foram positivas para algum tipo de coco Gram positivo, sendo 10% deles Staphylococcus aureus [nenhum MRSA]. Nenhum S. aureus foi isolado nas roupas lavadas em casa, nem lavadas no hospital, nem nas roupas novas e nem nas roupas novas descartáveis; porém outras bactérias Gram positivas potencialmente patogênicas foram identificadas. Sessenta e nove por cento das amostras de roupas sujas cirúrgicas testadas foram positivas para coliformes, sendo 10,3% Escherichia coli. Das roupas lavadas em casa, 44% foram positivas para coliformes, sendo que em nenhuma foi identificada E. coli. Nenhum coliforme ou E. coli foi identificado nas roupas lavadas no hospital, nas roupas novas e nas roupas novas descartáveis. Fungos foram encontrados em 10% das amostras de roupas lavadas no hospital, em 93% das amostras de roupas lavadas em casa, em 36% das roupas novas descartáveis, em 22% das amostras de roupas sujas e em 27% das roupas novas.

Discussão: nesse estudo bactérias HPC foram escolhidas para demonstrar a limpeza relativa das roupas, baseado em estudos similares. Significativamente menor contagem de bactérias HPC foi detectado nas roupas lavadas no hospital em comparação com as roupas lavadas em casa [variação: 1-27UFC/cm² X 1-848UFC/cm²; ρ=0.016]. A maior contagem de bactérias HPC foi verificada nas roupas lavadas em casa, superando a contagem das roupas sujas. Não houve diferença estatística na contagem de bactérias HPC das roupas lavadas no hospital, nas roupas novas e nas roupas descartáveis. Nesse estudo, os detalhes no processamento das roupas na lavanderia do hospital foram conhecidos, ao contrário daquelas roupas processadas em casa onde as práticas de lavagem não foram descritas. Algumas variáveis afetaram o nível de contaminação detectado nas roupas lavadas incluindo o nível inicial de contaminação, procedimentos usados na lavagem e condições de estocagem. A média de contagem de bactérias HPC das roupas lavadas em casa foi de 80% recuperadas nas roupas sujas [média: 143UFC/cm² X 180UFC/cm²]. Apenas 10% (3 de 29) das bactérias coliformes isoladas das roupas usadas no hospital e lavadas em casa foram positivas para E coli. No entanto, muitas das outras bactérias Gram negativas identificadas [por exemplo, Enterobacter cloacace, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella oxytoca, Serratia rubidaea] são capazes de causar graves infecções nosocomiais, incluindo pneumonia, meningite e uma série de septicemia. Organismos Gram positivos identificados [Staphylococcus aureus, Aerococcus viridans, Enterococcus flavscens] também são capazes de causar infecções em indivíduos de alto risco, tais como aqueles com doenças de base. A alta contagem de fungos encontrada nas roupas cirúrgicas foi inesperada, dada que as amostras foram coletadas de áreas com baixa umidade relativa durante fase tipicamente seca do ano [dezembro]. Condições de estocagem [temperatura e umidade] das roupas lavadas em casa desde a última lavagem não foram conhecidas, porém nenhum fungo visível foi detectado nem mesmo cheiro de mofo foi perceptível antes dos testes. Em 93% das amostras de roupas lavadas em casa foram positivas para fungo, porém a identificação das espécies específicas estava além do escopo desse estudo e assim, os riscos para a saúde desses fungos encontrados são incertos. Algumas espécies de Aspergillus, conhecidas por crescer bem em vestuário, são patógenos oportunistas. Se os microrganismos nas roupas são transferidos para pacientes não foi avaliado durante este estudo, porém outros trabalhos já demonstraram essa possibiidade de transferência.  A contribuição relativa das roupas contaminadas na disseminação das infecções hospitalares não é conhecida. Dado que as taxas de MRSA têm diminuiu em alguns hospitais, apesar da lavagem de roupas em casa ainda ocorrer de forma contínua, sugere que outros métodos de controle de infecção são mais importantes, como a vigilância do paciente e as precauções de contato. Recentes estudos têm concluído que não existem evidências que suportem os uniformes como veículos de transmissão de infecção. O Guideline de Lavanderia Hospitalar do CDC – 2002 refere que Uniformes lavados em casa não têm mostrado qualquer ligação com um aumento das taxas de infecção e patógenos não foram isolados tanto de roupas lavadas em casa quanto de roupas lavadas em hospital”. Existem opiniões confiltantes quanto a permitir o profissional lavar seu uniforme em casa. Administradores e equipes de controle de infecção hospitalar devem pesar bem os riscos de possível transmissão de microrganismos e a economia dos custos realizada pela empresa se os profissionais lavarem seus próprios uniformes em casa. De qualquer maneira, os profissionais de saúde devem estar cientes da grande possibilidade dos seus uniformes se tornarem contaminados e medidas que podem tomar para minimizar a transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar e quando lavam esses uniformes em casa.

Conclusão: Fornecer orientações escritas para o pessoal seguir quando da lavagem dos seus uniformes em casa pode ajudar a reduzir o risco de infecção hospitalar. Lavagem a 71ºC, como recomendado pelo CDC, não é viável em um ambiente doméstico. Lavagem a 60ºC ou superior adicionado qualquer produto de lavanderia ou lavagem a 40ºC usando um produto alvejante de roupa deve ser suficiente para matar a maioria dos microorganismos, incluindo os esporos de Clostridium difficile. Alvejante deve ser utilizado quando possível e sempre em vestuários muito contaminados. Todos os trajes hospitalares devem ser completamente secos num secador e depois armazenados de modo a garantir a limpeza contínua e minimizar o crescimento de fungos.

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Você pode acessar o artigo em: Nordstrom_et al AJIC Ago2012

                                                                                                                        Kátia Costa

 

 

 

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