Prezados colegas,

Neste DIA 15 DE MAIO quando se comemora o DIA DO CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR, não poderíamos deixar de lembrar do personagem mais importante dessa história e quem certamente  alavancou os estudos sobre prevenção e controle das infecções nosocomiais – Ignaz Philipp Semmelweis [1818-1865]!!

Hoje passados exatos 166 anos do seu postulado sobre a LAVAGEM DAS MÃOS, observamos na prática e pelos estudos publicados nos diversos países, o quanto essa simples técnica ainda é negligenciada pelos profissionais de saúde.

A LAVAGEM DAS MÃOS ainda é considerada a maior “arma” que temos contra as infecções relacionadas a todas as formas de assistência à saúde, entretanto Semmelweis não tem tido motivos para “comemorar” sua descoberta. De onde quer que esteja, ele está constatando que assim como na sua prática médica no século XIX, os profissionais de saúde neste século XXI continuam a provocar graves danos aos pacientes, pelo fato de não aderirem a esse simples gesto durante suas atividades profissionais!!

Segundo a Organização Mundial da Saúde [WHO] – ‘SAVE LIVES: CLEAN YOUR HANDS’!!

[Abaixo segue o resumo de um artigo que comprova o quanto a lavagem das mãos também é pouco valorizada pelos futuros profissionais de saúde]

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Publicado no Journal of Clinical and Diagnostic Research [J Clin Diagn Res]

Mar/2013 – Vol.7(3): 434-6 [Chugh Y and Baligathe S.]

As mãos abrigam uma variedade de bactérias as quais fazem da lavagem das mãos [LM] um atributo essencial para prevenir transmissão de patógenos nosocomiais. Os estudantes de medicina, como parte de seus curriculos, examinam diversos paciente durantes suas atividades clínicas. O ensino da LM tem sido enfatizado contudo, a aderência a essa prática por parte deles é duvidosa.

O objetivo desse estudo foi avaliar o impacto da educação para estudantes de medicina sobre a correta técnica de LM e seu papel na redução da contaminação microbiana das mãos desses estudantes.

Método: cinquenta estudantes de medicina das clínicas: ginecologia e obstetrícia, cirurgia, medicina comunitária e clínica médica foram randomicamente selecionados para participar do estudo, entre julho a setembro de 2011. Assim que eles terminaram suas atividades clínicas com os pacientes, eles foram orientados a comparecerem no Laboratório de Microbiologia onde amostras de culturas das suas mãos foram conduzidas. Desses estudantes iniciais, trinta deles que apresentaram maiores contagens bacterianas nas mãos foram solicitados a comparecerem novamente ao Laboratório de Microbiologia após dez dias de atividades nas clínicas e então foram alocados arbitrariamente em dois grupos 1) grupo teste [15 estudantes de medicina] – o qual recebeu orientação formal sobre a técnica de LM baseada nas recomendações da OMS e em seguida o grupo foi solicitato a lavar as mãos, e 2) grupo controle [15 estudantes de medicina] – o qual não recebeu qualquer informação nova/adicional sobre a técnica da lavagem das mãos e também foi solicitado que lavasse as mãos. Os dois grupos usaram 2ml de gluconato de clorexidina para a LM. Após a técnica novas amostras de cultura das mãos foram realizadas nos dois grupos. O estudo foi autorizado pelo comitê de ética e foi utilizado termo de consentimento livre e esclarecido com os participantes. A análise estatística empregada foi o teste qui quadrado de Pearson. Pacote estatístico SPSS.

Alguns Resultados: Do total de estudantes, 26 eram homens e 24 eram mulheres. A média de colonização bacteriana nas mãos das mulheres foi significativamente maior que nos homens – 1.7×106 cfus/ml X 0.9×106 cfus/ml [p= 0,05], respectivamente. Estudantes que usavam anéis tinham maior contaminação bacteriana nas mãos comparados aqueles que não usavam anéis – 3.3×106 cfu/ml X 0.7×106 cfu/ml [p=0,05], respectivamente. A média de colonização nas mãos dos participantes do grupo teste foi 2.5×105 CFU/ml e nos participantes do grupo controle foi de 1.9×105 CFU/ml. Staphylococcus aureus foi o patógenos mais isolado nas mãos dos participantes nos dois grupos. Após a LM com gluconato de clorexidina, houve redução da colonização bacteriana nas mãos dos dois grupos, porém foi significamente maior no grupo teste [p=0.011]. Além disso, o grupo teste não reteve S. aureus na microbiota transitória das suas mãos após a lavagem.

Discussão: Em 1847, Ignaz P. Semmelweis institiu que os estudantes de medicina que viessem da sala de necrópsia teriam que lavar suas mãos com cal clorada antes de realizarem os partos. Com essa conduta Semmelweis reduziu a sepsis puerperal em 22-23%. Muitos estudos observacionais têm demonstrado que a adequação da lavagem básica das mãos é mínina principalmente entre médicos. Observou-se que a colonização bacteriana das mãos dos participantes no grupo teste foi significativamente menor que no grupo controle após a LM, indicando que fornecendo orientações sobre a correta técnica de LM antes das tarefas, resulta em importante declínio da colonização bacteriana das mãos.

Conclusões: Os autores acreditam que o reforço diário sobre a técnica da LM ajudaria a diminuir a contagem bacteriana das mãos dos profissionais de saúde, contribuindo assim para a aderência à técnica por parte deles e com as medidas de controle de infecção. O ensino da lavagem das mãos deve ser reforçado nos cursos de graduação com aulas teóricas e práticas em laboratório.
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Se você desejar obter esse artigo, escreva para katia.costa@abih.net.br

                                                                                                                   Kátia Costa

 

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